Ele precisou de coragem para desistir do nosso amor

E quando eu me dei conta que a vela estava quase apagando foi o momento em que resolvi lutar para que ela não apagasse. Tarde demais. Ele não olhou para trás, nem sequer deu um suspiro de forma “ok,segura o choro, tá tudo bem.” Ele estava bem, ou aparentava estar quando resolveu que não queria mais ficar. Simples assim: ele decidiu que nosso relacionamento já não era mais o que ele procurava e quando nossa última conversa chegou ao fim, ele partiu e nem cogitou voltar. A vela apagou.

Dentro de mim eu sabia que ele precisou de muita valentia quando olhou nos meus olhos e disse que me amava, mas que achava melhor cada um seguir o seu caminho. Ele nunca gostou de me ver chorando e sempre evitou isso, e agora ele era o motivo das minhas lágrimas. Penso até que, talvez, ele precisou de um ensaio em frente ao espelho para manter a postura e não ceder ao que o seu coração gritava. Estava mais do que estampado nas falas dele que o coração pedia que ele não acabasse com tudo, mas a razão dele foi mais forte.

O amor nem sempre é fácil e muitas vezes precisa de coragem, e ele a teve. Ele foi corajoso demais para colocar um ponto final nas conversas da madrugada, nas trilhas sonoras que embalavam nosso romance, nas saídas ao shopping nos domingos, nas porções de tábuas quando a vontade por uma comida diferente era grande, nos filmes e séries vistos madrugadas e madrugadas, nas risadas que ecoavam dentro do carro, das noites entrelaçados na cama. Foi corajoso para colocar o ponto final na história mais bonita que eu já vivenciei até os dias atuais.

Ele precisou ser forte quando a saudade bateu, quando eu invadi os sonhos dele, todas as vezes que passei por ele deixando o rastro do meu perfume seguido do som da minha risada. Quando tocava aquela música na rádio que eu cantava pra ele porque achava engraçadinha ou naquele jantar de família quando perguntaram por onde eu andava, se eu estava bem e porque terminamos.

Eu fico imaginando a reação dele quando os amigos perguntaram qual o motivo do final desse relacionamento, fico imaginando se ele chegou a engolir em seco quando a mãe dele perguntou por que eu não voltaria mais lá, porque quando as pessoas me perguntam isso eu apenas digo que não sei. Eu penso em alguma resposta adequada, talvez um “brigas demais” ou um “resolvemos nos concentrar mais em outras prioridades da vida”, mas nenhum motivo soa bom.

Eu não acredito que um relacionamento realmente precise terminar por algumas brigas excessivas, ou porque não conseguimos nos concentrar nos estudos. Não, esse não é um motivo plausível, não quando se tem amor envolvido, né? Eu vejo que é tão mais fácil sentar e conversar, resolver as brigas, pular o muro – chamado medo – que te impede de ir conversar adequadamente com quem você escolheu para compartilhar sua vida.

Eu não consegui ter essa ousadia toda que ele teve, não. Pra ser bem realista, nem consegui apagar nossa conversa no facebook ainda. Quando a saudade bate, é pra lá que eu corro, eu olho, releio e revivo os momentos. Vejo ali, estampado na minha cara, um momento feliz da minha vida que escorregou pelas minhas mãos sem que eu percebesse. Tenho a sensação, lendo aquelas conversas, de que nunca houve um fim. E quem sabe, nunca houve mesmo. Não houve um fim no amor, houve um fim no relacionamento apenas.

Texto publicado no site SuperEla.

Sobre o Autor

Daniele Denez

Catarinense, uma boa escorpiana, ama momentos, música, histórias e boas risadas. Você sabe o seu nome, mas nem imagina sua história, você lê suas palavras, mas é impossível saber o peso que elas têm para ela.

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