Enquanto você coleciona números, eu coleciono histórias

Você não foi o primeiro e tampouco será o último que vou encontrar vagando pela vida. Mas de certa forma isso é uma situação prazerosa, pois cada vez que encontro caras como você, percebo o quão quero permanecer distante desses jogos que vocês criam para mostrar quem é melhor – e no final, nenhum é melhor em nenhum sentido, inclusive na cama.

Quantos contatos você conseguiu antes de me laçar na mesa do bar? Provavelmente uns três… Eu fui a quarta a cair na sua isca. Você chegou com uma confiança inabalável, lançou sua primeira estratégia: seu alto conhecimento em cervejas e dali surgiu uma agradável noite. Você demonstrava descontentamento na sua fase “solteirão” – puro charme pré-conquista.

Eu gostei de você. Do seu papo. Do jeito como você tomava um gole de cerveja e exibia um sorriso encantador logo em seguida… Quem imaginaria que você seria mais um desses homens ego inflados. Eu não.

Vocês ficaram realmente bons e convincentes nesse entretenimento de vocês. Vocês conquistam, pegam o número e somem. Somem até sentirem vontade de mais uma noite com aquela mulher, daquele dia. E aí vocês aparecem com “saudades sumida”. O clichê do “sumida”. Vocês realmente não pensam em nada melhor, não é mesmo?

Fico me perguntando se vocês apostam alguma coisa para quem conseguir iludir mais… É um tipo de diversão? Porque se for, eu sinto informar que o único que sai sem nada, na verdade, são vocês. Uma hora cansa, entende? Uma conta pra outra, que conta pra outra, e aí quando vocês perceberem nenhuma delas vai mais responder. O “visualizado e não respondido” vira contra o jogador.

Porque pra ser bem realista, nós não entramos nesse jogo. Nós caímos nele sem querer e quando descobrimos, caímos fora. O meu tipo de “divertimento” é o da reciprocidade, entende? Aquele que você se entrega e o outro se entrega também. Que você cuida e recebe cuidados. Que você protege e é protegida… É, eu estou falando de relacionamento mesmo.

Enquanto vocês ficam inflando seus egos, tendo plena convicção que são os mais felizes com essa vida de “solteiro pegador”, acumulando vários contatos pra quando bater a carência mandar um típico clichê. Enquanto vocês sentem o prazer em colecionar calcinhas, lágrimas, ilusões e beijos, eu vou colecionando momentos. E cada um, sem exceção, tem seu extremo valor. Inclusive o nosso.

Ele não me fez desacreditar de caras bacanas… Pelo contrário, me fez querer cada vez mais achar alguém com confiança suficiente pra saber que status de solteiro não é significado de felicidade. Você, na verdade, foi mais um cara sem perspectivas que apareceu pra mim. E não, eu não estou com raiva e nem decepcionada, você foi mais uma história engraçada sobre uma pessoa vazia viciada na sua ‘egolatria’ que eu tenho pra contar. Obrigada.

Sobre o Autor

Daniele Denez

Catarinense, uma boa escorpiana, ama momentos, música, histórias e boas risadas. Você sabe o seu nome, mas nem imagina sua história, você lê suas palavras, mas é impossível saber o peso que elas têm para ela.

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